terça-feira, 16 de setembro de 2014

Privatização da Escola de Música Villa-Lobos: O relato de um ex aluno contra a privatização.

Foto: Marina Miglieta

   Comecei a estudar no Villa Lobos em 2000, eu era um rapaz cheio de entusiasmo e me lembro de quando cheguei nos corredores daquela magnífica escola pela primeira vez, onde fiz minhas primeiras amizades. Vi um rapaz saindo do auditório Guerra-Peixe e ser abraçado por uma colega que dizia “eu vi sua apresentação, ficou linda!” Senti que aquele era o melhor lugar para começar a viver e sentir música, onde conheceria pessoas que carregaria comigo durante a formação como músico e mesmo após ela.
    Sempre morei em Campo Grande, a uns 60km dali,  vindo de um lugar em que não tínhamos escolas de música (a conhecida Dinear não tinha curso de violino que eu queria fazer e anos depois acabou fechando) foi uma das melhores escolhas que eu poderia fazer, um ambiente agradável com ótimos professores. O preço era acessível (algo em torno de 200 reais por semestre) para uma pessoa nas minhas condições esse era o lugar ideal. A Escola se situa no centro da cidade, recebendo alunos de toda parte do Rio de Janeiro. Acabaria vendo que muitos estavam na mesma situação que eu, que vinham de longe, como Nova Iguaçu, Paracambi e regiões até mais longínquas.



Foto: Blog do Bleffe
  
Escola de Música Villa Lobos, AMAVILLA e FUNARJ

A Escola da Música Villa-Lobos foi fundada em 1952, no Rio de Janeiro, o prédio foi doado pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. A escola oferece o curso básico, técnico e de formação infantil. O curso técnico é de acesso gratuito pois pertence ao Estado já o curso básico tem a cobrança semestral, pois pertence a Associação dos Amigos da Escola de Música Villa Lobos (AMAVILLA). O curso de formação infantil passou a pertencer também do Estado sendo também gratuita com ingresso via sorteio público.
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    A AMAVILLA foi criada em 1994 por professores da instituição com o intuito de arrecadar fundos e gerir o ensino básico de música, além de abrirem novos cursos a AMAVILLA também ajuda na manutenção e pagamento de funcionários da escola, ou seja, arca as despesas que deveriam ser do Estado. Os professores contratados pela AMAVILLA não são contratados do Estado, trabalham como associados. A associação luta também pelo concurso que já foi aprovado, mas não entra em prática.
    A Fundação Anita Mantuano de Artes do Rio de Janeiro (FUNARJ), é uma entidade do Governo do Estado do Rio de Janeiro, responsável pela promoção da cultura e tem vínculos com o Estado, administra algumas instituições como o Teatro João Caetano, Teatro Villa-Lobos, Fundação Teatro Municipal, Sala Cecília Meireles, Escola de Música Villa-Lobos,  dentre outros.
Foto: João Carlos Luz
O que vem acontecendo?

O governo de Sérgio Cabral encaminhou o Projeto de Lei 1975/2009 para a ALERJ, que propõe a criação de Organizações Sociais para gerir  todos os equipamentos públicos de cultura do nosso Estado, ou seja, privatizar as instituições administradas pela FUNARJ. O Estado Justifica que essas instituições são muito dispendiosas.
    O problema é que essas instituições sobrevivem a preço de custo e ainda conseguem tornar o ensino acessível a todos, como o caso da Escola de Música Villa-Lobos. A AMAVILLA encontrou meios de fazer com que a Escola continuasse existindo, e o mais importante: possibilitar a todos estudarem música. Com a privatização a situação mudaria completamente, havendo um aumento no  valor semestral, que custa hoje 620 reais e passaria para 1500 reais, o que dificultaria o acesso daqueles menos favorecidos. Embora o artigo 1º da Lei afirme que não será administrado com fins lucrativos, sabemos que na prática a coisa acontece de forma muito diferente. Sendo privatizada a Escola passaria por uma mudança total, onde acabariam com  o curso técnico, com a musicalização infantil e mesmo o curso básico como o conhecemos hoje, a escola se tornaria uma nova escola particular de música acessível apenas a quem pode pagar. Certamente a infraestrutura pode melhorar consideravelmente, mas essa medida acabaria com o estudo de música democrático, e devemos lembrar que se hoje a Escola ainda está de pé é graças a AMAVILLA que encontrou meios para isso.
Ainda é bom lembrar que o curso infantil é gratuito, com a privatização esse curso seria novamente pago, ou seja, impor uma OS e tornar o que é público em pago. O Objetivo final de uma instituição de ensino deveria ser a educação e não o lucro!


Ato Pacífico nessa Sexta feira!

    Haverá um ato pacífico em frente ao Palácio do Governador (Palácio Guanabara) dia 19 de Setembro às 14h em defesa da “Escola pública e para todos Villa-Lobos” e pela abertura de concurso público para professores e funcionários para a escola.

No vídeo a seguir o professor Júlio César Barbosa fala sobre a AMAVILLA e a necessidade de abrir novos concursos.
https://www.youtube.com/watch?v=8-WcVeixc2c 



Concluindo: É importante que as instituições de ensino não sejam privatizadas, pois dão acesso democratico a todos. Acredito que os músicos que começaram seus estudos por lá deveriam aderir ao protesto. A população deveria se interessar pela causa, pois o músico que toca a noite no barzinho, que toca no seu casamento, na sua festa, que ensina música a seus filhos começou seus estudos em lugares como esse, que devem ser conservados. Só quem estudou nessa escola sabe que não se trata somente de saber qual poder vai gerir, mas que a escola nunca mais será a mesma se for privatizada.

Atualizações
no dia 26/09/2014, sai a seguinte nota veiculada pela pagina "Associação de Pais e Responsáveis da Escola de Música Villa Lobos"

Notícias
Villa-Lobos: presidente da Funarj garante gratuidade
O Movimento pró-Associação de Pais, Responsáveis e Amigos da Escola de Música Villa-Lobos teve na manhã desta quinta-feira (25/9) uma importante reunião para tratar das mudanças que deverão acontecer na escola, devido à alteração na gestão da instituição que passará a ter a formatação de uma Organização Social (OS). A reunião foi convocada pelo atual administrador da instituição, responsável pela transição da gestão, Carlos Valente.
Maior preocupação das mães e pais dos alunos, os cursos gratuitos de formação inicial e técnico foram o tema central do encontro. Nesse sentido, uma boa notícia foi à garantia dada pela presidente da Funarj (Fundação Anita Mantuano de Artes do Estado do Rio de Janeiro), Eva Doris Rosental, também presente a reunião, de que os cursos gratuitos serão mantidos e até ampliados.
- Ela (presidente da Funarj) garantiu a continuidade dos cursos e o até uma maior oferta deles. Disse ainda que haverá uma mudança na estrutura dos cursos, embora não tenha dado detalhes sobre isso. Com relação à implantação da OS, assinalou que a mudança é certa. Outra promessa foi uma reforma de mobiliário, pinturas e parte elétrica do edifício - adiantou uma das mães que participaram do encontro, mas que preferiu não se identificar.
Com relação à abertura de concurso público para professores de música e funcionários para a instituição, outra reinvindicação do movimento de mães e pais, não foi anunciada qualquer medida pelo responsável pela transição, Carlos Valente.
Também esteve presente ao encontro o coordenador do curso técnico, Carlos Soares. A Secretária de Cultura do estado, Adriana Rattes, convidada, não compareceu.

Movimento pró-Associação de Pais, Responsáveis e Amigos da Escola de Música Villa-Lobos volta a se reunir na próxima quinta-feira (2/10), a partir das 9h, no Sindicato Interestadual dos Trabalhadores da Indústria Cinematográfica e Audiovisual (Stic-RJ).
Fonte: http://www.sindmusi.org.br/site/textoDetalhe.asp?iidTexto=1966


TOMBAMENTO DA ESCOLA VILLA LOBOS (2015)


TOMBAMENTO DA ESCOLA DE MÚSICA VILLA LOBOS
PROJETO DE LEI Nº 433/2015
EMENTA:
TOMBA, POR SEU RELEVANTE VALOR HISTÓRICO, ARQUITETÔNICO E CULTURAL, A ESCOLA DE MÚSICA VILLA-LOBOS, NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.
Autor(es): Deputado ELIOMAR COELHO

A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
RESOLVE:
Art. 1º Fica tombado, por seu relevante valor histórico, arquitetônico e cultural, a edificação localizada na Rua Ramalho Ortigão, 9 (sobrado), Centro, Município do Rio de Janeiro.
Parágrafo único - O imóvel protegido por esta Lei será destinado exclusivamente como um Centro Popular de Ensino de Arte.
Art. 2º Ficam preservadas, no imóvel tombado, as atividades de ensino, pesquisa e culturais ligadas à formação técnica e artística em música.
Art. 3º O Poder Executivo, por intermédio do órgão competente, adotará as medidas necessárias para o registro do tombamento realizado por esta norma e regulamentará os parâmetros edilícios, elementos arquitetônicos, artísticos e culturais a serem protegidos por esta Lei no prazo máximo de um 12 (doze) meses a partir da sua entrada em vigor.
Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.
Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 19 de maio de 2015.


Links de referência
Pagina no facebook contra a privatização do Villa
https://www.facebook.com/pages/Associa%C3%A7%C3%A3o-de-Pais-e-Respons%C3%A1veis-da-Escola-de-M%C3%BAsica-Villa-Lobos/843059042378915
Blog Cidade Barra
http://cidadedabarra.blogspot.com.br/2009/05/passeata-contra-aprivatizacao-da.html
Jornal Inverta
http://inverta.org/jornal/edicao-impressa/430/movimento/quem-deve-colocar-as-teclas-no-piano-e-o-estado-e-nao-empresarios
Blog Agência FB
http://agenciafb.blogspot.com.br/2009/05/movimento-diz-nao-privatizacao-da.html

9 comentários:

  1. Que vergonha! Fui aluna dessa escola maravilhosa nos anos 80, tentei voltar esse ano, mas as aulas de canto lírico estavam tão diferentes que nem terminei o semestre. Que pena mesmo! mas esses governos não estão nem aí para a arte, a próxima será a E. Martins Pena, é só esperar para ver.

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    1. Gloria obrigado por comentar. Me lembro uma vez que protestamos junto com a Martins Pena pelo passe livre, acho que seria uma ótima oportunidade para união de todas instituições da FUNARJ. Vamos seguir de olho.

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  2. Triste principalmente pelo fim do curso técnico gratuito; por outro lado a escola estava estagnada com aquela direção do zé maria que já estava a anos no comando, nem o site funcionava, tudo era difícil é burocrático, graças a Deus estudei em uma época boa 2001.

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  3. Lembram da professora Maria Luisa? Que saudades dessa época !!!

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  4. Sou aluno atual, é um orgulho imenso aprender numa escola dessas. E quero isso para meus filhos, meus netos, bisnetos, e para toda a geração vindoura, enfim... Quero a Villa-Lobos como ela é e sempre foi, PARA TODOS!!!

    (Infelizmente a casa está sendo sucateada... Sinais de privatização)
    :(

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  5. Devemos nos unir e pedir ao ministério publico o impedimento de governar do atual governador.Aposto que, a população do Rio de Janeiro vai aderir e vamos ter bons resultados.

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    1. Parece que tivemos boas noiticias, na qual vou atualizar no post

      TOMBAMENTO DA ESCOLA DE MÚSICA VILLA LOBOS
      PROJETO DE LEI Nº 433/2015

      EMENTA:
      TOMBA, POR SEU RELEVANTE VALOR HISTÓRICO, ARQUITETÔNICO E CULTURAL, A ESCOLA DE MÚSICA VILLA-LOBOS, NO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO.
      Autor(es): Deputado ELIOMAR COELHO

      A ASSEMBLEIA LEGISLATIVA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
      RESOLVE:
      Art. 1º Fica tombado, por seu relevante valor histórico, arquitetônico e cultural, a edificação localizada na Rua Ramalho Ortigão, 9 (sobrado), Centro, Município do Rio de Janeiro.
      Parágrafo único - O imóvel protegido por esta Lei será destinado exclusivamente como um Centro Popular de Ensino de Arte.

      Art. 2º Ficam preservadas, no imóvel tombado, as atividades de ensino, pesquisa e culturais ligadas à formação técnica e artística em música.

      Art. 3º O Poder Executivo, por intermédio do órgão competente, adotará as medidas necessárias para o registro do tombamento realizado por esta norma e regulamentará os parâmetros edilícios, elementos arquitetônicos, artísticos e culturais a serem protegidos por esta Lei no prazo máximo de um 12 (doze) meses a partir da sua entrada em vigor.

      Art. 4º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

      Plenário Barbosa Lima Sobrinho, 19 de maio de 2015.

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