domingo, 8 de junho de 2014

Música na Revolução Francesa parte 2

Ça Ira, relembrada em festivaisna França

Parte 2

Ça Ira


Vamos continuar falando sobre a música durante a Revolução Francesa e também a música que precedeu esse momento histórico na França. Na primeira parte falamos sobre o Teatro, a ópera e a comédia Poissard, nessa segunda parte falaremos da canção “Ça ira”, que atravessou a tomada da Bastilha, Robespierre e chegou até Napoleão.


Jean-Pierre Louis Laurent Houel (1735-1813)  Prise de la Bastille


No dia 14 de Junho de 1789, o povo invadiu e tomou a velha prisão da Bastilha, símbolo se poder e prisão dos inimigos políticos. A revolta em massa tomou as ruas, o que acabou fazendo com que Luís XVI reconhecesse a Assembleia Nacional Constituinte.
1790 Ah! Ca Ira, cópia da primeira impressão

A revolução em Paris, sempre contou com a presença dos sons marciais, transformando as festas patrióticas em uma diversão da massa cantada e dançada. Novas músicas seriam criadas, com temas voltados para a indignação revolucionária. Apoiaram o uso do refrão da canção “Ça-ira”, (chegaremos lá), letristas anônimos montaram versões baseadas em fatos políticos do momento. (TINHORÃO, 2009, p.19) Podemos observar que a apropriação e representação de algumas músicas, foram “atualizadas” de acordo com o momento, e essa é uma prática comum em vários protestos em épocas distintas, como por exemplo, as manifestações ocorridas no Brasil durante 2013, em que marchinhas, cantigas, funks e sambas foram adaptados a situação política do momento. (para melhores detalhes veja o nosso outro texto sobre as músicas dos protestos no Rio de Janeiro.)


A primeira versão da “Ça-ira” aconteceu com a chegada de forasteiros no Campo de Marte, onde se realizavam os preparativos para a Festa da Federação. Os visitantes que chegavam, trabalhadores e crianças cantavam a “Ça-ira”, também possuíam orquestras ambulantes que animavam os trabalhadores. A música não seria apenas cantada durante as festas revolucionárias, mas também na Festa da Unidade e da Individualidade da República, realizada no dia 10 de agosto de 1793.
1790-Letra de Mr. Deduit. (Bibliotheque Nationale et Universitaire, Strasbourg.)


Inicia-se o período de terror, o Rei Luis XVI é levado a julgamento, sob acusação de traidor da pátria. Em 1793, Luís XVI é decapitado na guilhotina e inicia-se a ditadura Jacobina, com a liderança de Robespierre. 

Guilhotina
Seriam comuns os espetáculos de execuções na guilhotina, enquanto isso a música “Ça-ira”, conservaria apenas seu refrão, variando sempre a letra de acordo com os novos acontecimentos. Em alguns momentos assumiria um tom mais radical, como por exemplo, quando em 1792 se denuncia a coligação antirrevolucionária de padres e aristocratas, levando ao conhecido “massacre de setembro”. (TINHORÃO, 2009, p.22)

“Ah! Ça ira! Ça ira! Ça ira!

Les aristocrates à la Lanterne

Ah! Ça ira! Ça ira! Ça ira!

Les aristocrates, on les pendra

Si on n' les pend passadas

On les rompra

SI on n' les rompt pas

On les brûlera

Ah! Ça ira! Ça ira! Ça ira!



Ah! Ça ira! Ça ira! Ça ira!

Nous n' avions plus ni nobles, ni pêtres,

Ah! Ça ira! Ça ira! Ça ira!

L' égalité partour régnera.”

Durante a revolução, algumas pessoas foram enforcadas nos postes de luz (Les aristocrates à la Lanterne)

Os letristas anônimos então expressariam em versões da “Ça ira”, a verdade crua, o clima de terror e loucura (reparem a leve mudança em alguns versos)

“Ah! Ça ira! Ça ira! Ça ira!

Les aristocrates à la Lanterne

Ah! Ça ira! Ça ira! Ça ira!

Les aristocrates, on les pendra

On leur, fiechera la pelle au cul”


(tradução literal “Ah! Chegaremos lá! Chegaremos lá / O poste para os aristocratas/ Os aristocratas nós os enforcaremos/ E quando estiverem todos pendurados/ nos lhe materemos uma pá no cu.)
Devido as mudanças e participação nesse período, a “Ça ira” será proibida em Paris no final do século XVIII e no início do XIX, por causa da ascenção de Napoleão Bonaparte em 1799.

BIBLIOGRAFIA
TINHORÃO, José Ramos. A música popular que surge na Era da Revolução. São Paulo: Ed. 34, 2009.
COTRIM, Gilberto. História e Consciência do Mundo - ensino médio. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001.

SITES
http://robinengelman.com/2011/10/28/le-carillon-national-ah-ca-ira-and-the-downfall-of-paris/
http://aubignynewbuzz.hautetfort.com/archive/2012/07/16/ah-ca-ira-ca-ira-ca-ira-rejouissons-nous-le-bon-temps-revien.html
http://clubrepublicano.org/caira.htm





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