segunda-feira, 19 de maio de 2014

Limiar Absoluto, o Rock Pernambucano


A banda Limiar Absoluto vem de terras nordestinas, lugar onde o Maracatu é forte e o sol castiga, eles fazem ecoar suas guitarras distorcidas, com um rock brasileiro totalmente cantado em português. Todos integrantes são de Santo Agostinho, em Pernambuco, a formação conta com Jeremias Ferreira (vocal) Anderson Vitor (guitarra solo) Luiz Paulo (guitarra base) Eraldo  (baixo) e Guilherme (bateria). A banda é uma mistura de influências: Legião Urbana, Guns in Roses, Pink Floyd, Barão Vermelho, Offspring e outras pérolas do rock.


 


Terminaram de gravar seu primeiro CD em dezembro de 2013, que leva o nome homônimo da banda, com oito faixas.

A banda também participou de alguns festivais como o Carnaval Alternativo de 2014, promovido pela Oficina do Rock e várias edições do  Festivais Skate Ponte.

Impressões sobre a banda.

Parte técnica.

Poderíamos classificar a banda como sendo de Heavy Metal, especialmente por possuir riffs mais pesados de guitarra, batida forte e bem marcada (junto ao baixo) e o vocal mais agressivo. Mas a banda Limiar absoluto não seria tão pesada como um Motörhead, mas embora possua essas caracteristicas a banda seria melhor classificada como de  Hard Rock, na linha de Guns in Roses. As diversas influências dos integrantes da banda, levam a essas pequenas variantes de estilo, por exemplo, o guitarrista Anderson que gosta de Heavy Metal, o guitarrista base, Paulo, gosta de Grunge, Jeremias no vocal, admirador das bandas nacionais dos anos de 1980 e 1990.

Gostei também o trabalho vocal da Jeremias e o ótimo entrosamento com o back vocal, costumam cantar no intervalo de terça maior acima (podendo variar para uma quarta justa). As músicas no geral são bem equilibradas e seguem um certo padrão do Hard Rock/ Heavy Metal, incluindo os solos característico dos estilos. Todos integrantes são bem competentes dentro de suas funções e o vocal agressivo e grave, dá uma identidade marcante a banda, algo que me lembrou muito a banda britânica de Heavy Metal, Witchfynde na sua formação pós 1999 com Harry Harrison no vocal.


Algumas músicas

A banda mantêm um padrão em suas levadas, com exceção da música A sós, que é uma balada ao melhor estilo Grunge, começando com voz, violão e a batida bem leve. Geralmente as músicas seguem um padrão dividido em 3 partes, uma seção A, B e depois A novamente, marcam bem a segunda seção (B) com solos ou mesmo um clima totalmente diferente, como se fosse outra música, algumas delas apresentam um belíssimo trabalho vocal . A música Impérios fala dos conflitos humanos, guerras em nome de Deus, exploração e filosofias hipócritas. Igualmente critica a sociedade, é a música Ouro de Tolo, que fala sobre a ideia de você ser dono do seu destino, por que "Promessas não valem de nada" nem mesmo "cartas marcadas" ou seja, você deve escolher seu destino e não seguir os dogmas da vida. Jeremias diz que "viver é difícil, mas ninguém deve abrir mão das escolhas acreditando que o destino já está traçado". A critica ao cotidiano, seus vicios e alienações, também estão presentes na música Cidadão José,  falam sobre a "caixa mágica" (TV) com suas promessas e influências para criar consumidores.  Jeremias relembra seu antigo professor Fontanella que dizia; " O Recife não tem cidadãos, tem consumidores", realidade essa que pode ser refletida a todo Brasil entregue ao consumismo. A banda segue com a forte critica na música Desordem e progresso, agora apontando as mazelas do Estado. Sua seção B, como é característico da banda, muda drasticamente para uma levada melancólica, falando da personagem Dina, uma menina que não tem mais os sorrisos de uma criança normal, que não sonha, que não tem perspectivas na vida, Dina é uma criança que acabou sendo vitima da exploração sexual infantil, vivendo agora em um "Jardim de flores mortas". A segunda parte da música é muito impactante, e reflete bem uma realidade triste no Brasil. Embora a música seja de 2006 sua abordagem ainda é muito atual, em pleno 2014.


Para ouvir e baixar as músicas da banda, CLIQUE AQUI


Conclusão

A banda é bem interessante e remete muito ao Rock dos anos 1980 e 1990, possuem elementos que marcam como identidade da banda: o timbre de vocal de Jeremias, o belo trabalho de backing vocal, as seções B que são bem diferentes da seção A e principalmente pelo forte conteúdo de critica social, religiosa, politica. Por serem de Pernambuco, acabamos por lembrar da Nação Zumbi, mas a banda Limiar Absoluto é semelhante a sua conterrânea apenas no que diz a critica social e por serem comuns ao mesmo Estado.
Para quem gosta do estilo, a banda é "confortável", todas as músicas vão acabar agradando, poderíamos até dizer que eles poderiam tentar arriscar alguns novos elementos, mas acho que estão muito bem assim, deixando que sua identidade acabe fluindo naturalmente, sem correr o risco de criar uma identidade falsa e plástica.


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