sexta-feira, 7 de junho de 2013

O Sistema de ensino de música na Venezuela servindo de exemplo para o mundo.



Sistema de ensino musical na Escócia se inspira na Venezuela onde crianças carentes e desfavorecidas são ensinadas a tocar algum instrumento. Consideram o sistema da Venezuela tão bem sucedido que seguem o mesmo modelo! Essa é uma boa para aqueles que acham que Europa e adjacentes são modelo musical por terem uma “tradição”.


O que é o sistema Venezuelano.

O sistema foi implantado sete presidências antes de Hugo Chavez, mas foi nele que recebeu os melhores incentivos, foram 29 milhões de dólares anuais e mais 5 milhões dos patrocinadores e doadores privados. O sistema oferece uma perspectiva ampla a crianças e jovens carentes, muitas vezes elas vivem em bairros muito violentos e pobres como Sarría, onde os traficantes tomam conta. Esse projeto tira as crianças do ambiente de pobreza e oferecem uma nova oportunidade a elas. Em uma matéria de 2009 se falava em 250 mil estudantes onde 90% deles eram de comunidades carentes. O projeto social conseguiu um enorme sucesso, chegaram mesmo a ter um “garoto propaganda”, o maestro Gustavo Dudamel.
Não queremos aqui defender ou acusar Hugo Chávez, mas apenas mostrar algo que deu muito certo e que é copiado em outros países, e claro, é uma forma correta de se introduzir a música clássica a jovens que nunca tiveram contato com ela. Para o maestro Inglês Simon Rattle, esse foi o maior acontecimento da música clássica no mundo inteiro.


O sistema
As crianças ingressam já com 2 anos de idade onde os instrumentos são emprestados, elas devem apenas se comprometer a ser bem sucedidas no aprendizado, e deverão também ter boas notas nas escolas para continuar seus estudos. Estudam todos os dias da semana e aos sábados de 14 as 18 horas. Embora o sistema seja acessível, existem pais que rejeitam a ideia de seus filhos em uma educação musical gratuita, para muitos ainda eles deveriam estar trabalhando, a resistência nesse sentido ainda é um embate duro.
Maestro José Antonio Abreu

Orquestra Simon Bolívar e o programa acadêmico FESNOJIV
É uma orquestra jovem que lançou discos pela Deutsche Grammophon, que é a gravadora mais conceituada da música clássica. A orquestra é composta por mais de 200 músicos entre 17 e 30 anos.
O programa acadêmico orquestral de FESNOJIV (Fundación del Estado para el Sistema Nacional de las Orquestas Juveniles e Infantiles de Venezuela) foi fundado por José Antonio Abreu com o nome de “El Sistema” em 1975, ele foi inspirado pelos ideais de Simón Bolivar (que comandou as revoluções de independência da Venezuela, Colômbia, Equador, Peru e Bolívia). O programa emprega mais de 15 professores de música, onde envolve masterclasses com maestros internacionais como Simon Rattle e Claudio Abbado, e trabalham seis meses por ano com Gustavo Dudamel que também é diretor musical da orquestra. A orquestra já percorreu o mundo e se apresentou em importantes palcos da música erudita.



Projetos que inspiram
Como dito antes, o projeto tem inspirado outros países como a Escócia e cidades americanas como Nova York, Los Angeles e Chicago, mostrando ao mundo que nem sempre a tradição europeia da música erudita é o caminho certo para os dias de hoje. Muitos ainda enfrentam a dificuldade de saber como oferecer música clássica a jovens, que nunca tiveram contato com ela.
Maestro Gustavo Dudamel

O caso do Pianista André Mehmari em Campinas
Pianista André Mehmari
Sei que muita gente já opinou sobre isso, mas porque no Brasil levar música clássica aos jovens é tão difícil? Não se trata de ser mais ou menos difícil, mas sim da forma como é levada! O pianista André Mehmari foi vaiado e hostilizado por um público jovem que não conhecia a obra executada, talvez esse público nem mesmo quisesse estar lá, o projeto a meu ver é bom, tem uma ótima intenção mas está sendo colocado de uma forma perigosa e errada, ao melhor estilo Jesuíta que vem catequizar os índios “sem cultura”. Esses jovens tem suas cultura própria, alguns vão se interessar mas a grande maioria não, e para isso é necessário um incentivo mais cauteloso e organizado como o sistema da Venezuela, apenas chegar e expor não é o caminho certo ainda. Trazer uma cultura diferente ainda é um processo que devemos fazer sem nenhuma imposição. Sabemos que Ernesto Nazareth é brasileiro mas mesmo assim a cultura de se ouvir o tipo de música que esse grande compositor fazia não foi cultivado para os dias de hoje, tudo isso deve ser levado em consideração. André Mehmari merece todos aplausos por sua boa vontade e a culpa não foi dele. Devemos comparar e ver que o sistema da Venezuela não impõe, mas oferece, e se países fora da América do Sul já copiam essa ótima ideia o que falta para nós fazermos o mesmo?

Fontes:

Futuro da educação musical na Escócia

Milagre Venezuelano

Orquestra Simon Bolivar

Bio da Orquestra Simon Bolivar

Pianista hostilizado em campinas

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