sábado, 4 de maio de 2013

Música na Revolução Francesa parte 1


Vamos falar um pouco sobre a música que surge na era da revolução Francesa, como os ideais de nacionalismo e patriotismo se refletiram em suas músicas. Revolução essa que influenciaria muitas outras. O modo como a revolução utilizou sua música também serviria de exemplo para o mundo. Teremos duas partes, a primeira que será apresentada agora irá mostrar como era o ambiente cultural Francês até a eclosão da revolução em 1789, e a segunda parte tratará da música durante a revolução.


Parte 1
Antes da revolução.

Agitações no século XVIII
No século XVIII, setores da sociedade francesa uniram força para acabar com o absolutismo, liderados pela burguesia que queria expandir seus negócios. Nessa época estavam em voga os ideais iluministas que pregavam a liberdade, igualdade e fraternidade entre os homens. Iniciaria assim uma das maiores revoluções que o mundo conheceu, a Revolução Francesa. Toda essa agitação influenciaria diretamente na cultura e essa seria usada tanto como fuga como para representar os revolucionários.

A divisão da sociedade Francesa.
Primeiro precisamos entender como funcionava a sociedade pouco antes da revolução eclodir. A sociedade era dividida em três ordens: o primeiro era o clero, o segundo a nobreza e o terceiro o povo. O clero se dividia em alto clero e baixo clero; a nobreza se dividia nobreza cortesã (que viviam no palácio do rei), provincial (vivia nos campos a custas dos ganhos da terra) e a de toga (formada pelos burgueses). O povo se dividia em camponeses (servos com obrigações feudais e livres), grande burguesia (banqueiros, empresários e comerciantes), média burguesia (profissionais liberais, médicos, advogados, professores) e pequena burguesia (pequenos comerciantes).

A Parade
Nessa época antigos espetáculos de tradição medieval são substituídos por pequenas peças de teatro sendo introduzido pela primeira trupe italiana; seria uma novidade nacional destinada a uma diversão fácil. Surgiriam as “parades” (traduzindo do francês como desfiles, ou mais conhecidas por nós como “paradas”) com seus diálogos apimentados, e as comédias poissardes que será abordada mais adiante.

Comédie Français
Esses espetáculos chamavam mesmo a atenção da Nobreza, inicia-se assim a conquista da nobreza pelas festas populares fazendo fluir a livre troca de culturas. O gênero teatral aos poucos vai dando lugar a números mais musicais e o poder real cria acadêmias de música. Luis XIV cria uma subvenção oficial para fazer oposição a trupe italiana que havia chegado a França e fazia seus espetáculos de rua, essa subvenção oficial seria chamada de Comédie-Française, se tornaria a trupe oficial e expulsaria os italianos em 1767.


O teatro de tablado das feiras passariam a usar a tradição dos diálogos maliciosos, que se utilizava de uma linguagem livre e barulhenta, acontece um contra ataque do Comédie-Française que inconformada com a concorrência consegue em 1710 uma proibição total do emprego da palavra fora de seus palcos, ficaria assim o teatro de feira limitado à música das pantomimas.
Exemplo de Pantomima

O recurso da Ópera e o nascimento da comédie-valudeville, ópera cômica e o melodrama
Mas a permissão ainda era concedida a Ópera que mediante pagamento de taxas podiam utilizar o canto, ou seja ainda era possível usar a palavra cantada. O povo poderia entoar em coro o canto que era auxiliado por enormes pergaminhos que eram desenrolados e exibidos pelos atores. As proibições não teriam conseguido fazer calar a música do povo fazendo nascer assim um novo tipo de espetáculo musical, o “comédie-vaudeville”.
Surgiram outros novos gênero a “ópera cômica” que unia o canto e a representação (de onde vem o nome “cômica”) e o “melodrama” onde transbordaria o sentimento das pantominas, esse seria a fusão definitiva com a ópera italiana.
Comédie-vaudeville

Exemplo de Melodrama

O incêndio de 1762 faz surgir novas possibilidades
Aconteceu uma tragédia em 1762, um grande incêndio iria destruir todas salas e tablados da feira de Saint-Germain, obrigando as trupes locais a espalharem-se pelos palcos do boulevards, tal evento contribuirá para a construção de novos palcos. As peças populares iriam finalmente evoluir para musicais, com um ajuste dos textos para o gosto das camadas médias que frequentavam esses locais, seriam então chamados de théatres de société (teatro de sociedade), predominando o espirito de libertinagem elegante, esses gêneros de feira começavam a ganhar a forma de comédias chamadas “populares”, seria finalmente um rafinamento da malícia. As parades seriam agora conhecidas como “comédie parade” nos novos teatros de boulevard.

Os poissard
Nessa época é lançado a Enciclopéida de Diderot e o Contrato social de Rosseau, surgia uma burguesia já mais instruída, eram eles o público dos cafés. Surgiria também os poissard, que eram grupos de comédia baseados na falação solta dos vendedores de peixe. Em francês poisson significa peixe e poissard, peixeiro. Essas seriam as comédias poissardes que também utilizavam os palcos do boulevard, eram como uma caricatura da gente das baixas camadas, se tornava então uma diversão da nobreza e da burguesia que era ávida por vulgaridades.

A reapropriação da comédia Poissard
A França passa por um período conturbado de 1787 até 1789 que contribuíram para o estabelecimento do clima da inquietação revolucionária. Esse excesso de comédia e diversão era um tipo de fuga da realidade penosa. A comédia poissardes sofreria uma reapropriação em 1789 quando seria desencadeada a luta revolucionária, inspirando uma onda de patriotismo, exaltação dos heróis da população e o ideal de nação francesa unida. Esse povo encontra na poissard a melhor forma musical para representá-los.

Continua na Parte 2

Bibliografia
TINHORÃO, José Ramos. A música popular que surge na Era da Revolução. São Paulo: Ed. 34, 2009.
REMOND, René. O século XIX: 1815-1914. São Paulo: Cultrix, 1997.
COTRIM, Gilberto. História e Consciência do Mundo - ensino médio. 6ª ed. São Paulo: Saraiva, 2001.

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