domingo, 3 de fevereiro de 2013

Música da Morte: Gloomy Sunday de Rezsö Seress


Música e Morte, essas duas coisas podem combinar? Pelo menos nas temáticas na qual está voltada a música ou na historia por traz da mesma, isso é possível. Trago dois casos, um que envolve mortes reais, mas um deles criou proporções por causa de uma lenda urbana, e o outro mais verídico com comprovações cientificas. O primeiro deles é o caso do compositor hungaro Rezsö Seress (que será apresentado agora nessa postagem) e o segundo o famoso compositor alemão Richard Wagner. (que virá na parte 2).



Rezső Seress
Rezső Seress, Nascido em 3 de novembro de 1889 na Hungria, pianista e compositor, viveu em Budapeste e era judeu, passou por muitas dificuldades em sua vida. Na segunda guerra mundial foi levado ao campo de concentração para trabalhar, ele sobreviveu a esse terror, mas perdeu sua mãe que foi vítima da câmara de gás. Compôs para o Partido Comunista Húngaro. Durante toda sua vida foi um homem extremamente depressivo. Seress acabou sendo conhecido pela composição “Szomoru Vasárnap” traduzida para o inglês como “Gloomy Sunday” (Domingo Triste), principalmente após associarem suicídios a ela. O caso se tornou um tipo de lenda urbana, algumas fontes falam de 18 mortes com algum tipo de ligação com a música de Seress.
No filme
"Szomorú Vasárnap" de 1999, tem uma cena em que essa música é cantada, e adivinhem o que acontece depois? O pianista se suicida.


Os casos de suicídio ligados a Szomoru Vasárnap
O primeiro caso de suicídio que teria uma ligação com a música foi a do sapateiro Joseph Keller em 1936, onde o mesmo se jogou do seu prédio, no seu bolso um bilhete foi encontrado onde citava o titulo da música de Seress e dizia como estava contente em partir. Mais 17 novos casos foram relatados a seguir.
O caso foi tão sério que a policia de Budapeste achou prudente proibir a música, mas parecia que o “mal” já havia se consumado pelo mundo, pois em Berlim relataram um caso de um lojista que se enforcou, e sob seus pés uma partitura da música de Seress.
A música foi proibida, nos E.U.A suprimiram ela das rádios e as estações Francesas fizeram o mesmo. Ao que parece especialistas tentaram estudar o fenômeno mas não chegaram a nenhum tipo de conclusão.

 
A história por traz da canção não para por ai: quando Seress finalmente conseguiu alguém para publicar a música, passado uma semana se tornaria um best-seller na Hungria. Seress teria entrado em contato com sua namorada para se encontrarem, no dia seguinte ela teria se matado com o uso de veneno e a seu lado um papel escrito “Gloomy Sunday”.
Tudo isso parece ser muito bizarro e convincente, mas o fato é que toda morte que acontecia na época, tinha de fato alguma ligação ou era forçosamente estimulado. Muitos a meu ver com uma carga pesada de markting.
Seress não fugiria a “maldição”, o próprio se mataria em 1968, também se atirando de um prédio como fizera a primeira vitima da música.

  



Situação de Budapeste na época. 
Budapeste passava por uma enorme crise em 1933, uma a cada cinco pessoas chegava a miséria total, muitos morriam de fome. Depois da Crise de 1929 o mundo estava conhecendo os efeitos da “grande depressão”, a Hungria havia perdido territórios com a primeira guerra e se viu obrigada a se aliar a Alemanha Nazista, o que acarretaria em nova derrota na segunda guerra mundial. Esse era o cenário de miséria na Hungria . 

Diante de um país em crise e pessoas chegando a miséria total, ao entrarem em contato com uma música tão depressiva quanto essa, o estado emocional acabava piorando. Creio que a soma de fatores teriam levado essas pessoas ao suicídio. A meu ver a morte não era causada pela música como se perpetuou a lenda, mas ela funcionou como fundo musical na vida de pessoas que se encontravam em total desgraça, qualquer música triste com uma mensagem negativa poderia ter agravado o estado dessas pessoas, mas mesmo sem música o estado delas já não era bom.

Não é novidade que pessoas em estado de tristeza ao ouvirem músicas que julgam triste acabem por piorar seu estado emocional, caindo aos prantos. O caso piora ainda mais quando se atribui a canção essa propriedade maldita, eu mesmo ao ouvir a música pela primeira vez fiquei extremamente nervoso, mas não porque a música tenha qualquer propriedade sobrenatural, mas sim porque a historia por trás dela é assustadora, e acreditem, depois de ouvir a primeira vez ela não passa de uma música de caráter solene e triste.

Como foram as mortes ligadas a música
Dentre os 18 casos de morte, um deles digno de cena de filme: uma menina encontrada no lago Danúbio com a partitura da música em suas mãos congeladas. Alguns fantasiosos demais, outros mais sérios, mas todos tinham um tipo de ligação com a música. Alguns artigos e sites confirmam os casos documentados.

A meu ver os casos de morte estavam mais ligados ao pscicológico por trás da história da música do que por qualquer efeito sobrenatural da mesma. Muitos casos de suicídio na Hungria durante essa época também foram registrados, e não tinham ligação nenhuma com a música, foram mais de 300 por ano.

Após a segunda guerra mundial quando perde sua mãe, tendo apenas uma música que era considerada o “hino do suicídio”, e ainda mais a Hungria tornou-se um estado comunista dominado pelo exército vermelho, muitos foram presos e torturados. Seress embarca em uma profunda depressão. Com 68 anos ele se jogou do alto do seu prédio.

Será que você tem coragem de ouvir? 


 


A Música de Seress está no tom de Dó menor, sempre dizem que tons menores tem uma característica triste, mas essa seria uma definição muito simplória, a tristeza da música poderia ser melhor explicada por seu andamento como fez Karajan ao falar sobre os batimentos cardíacos associados ao andamento de uma composição.

Ária Ranz des Vaches

A famosa Ária chamada de Ranz des Vaches, do conhecido compositor Rossini, foi proibida de ser escutada pelas tropas suiças pois tinha a capacidade de "fazer chorar, desertar ou morrer a quem ouvisse: tão grande era o desejo que neles surgia de retornar à sua pátria." Apud SEEGER, p.244) E isso não acontecia por nenhuma razão mágica, mas sim por reflexões e lembranças dos soldados que ouviam essa música. Esses seriam alguns dos efeitos da música no homem, que não seriam de nenhuma natureza mágica, obscura, mas geradas pelo abalo emocional de quem ouvia.

Na segunda parte dessa série iremos abordar sobre o caso de Richard Wagner.

Versões
A Cantora Diamanda Calas, fez uma versão linda e assutadora dessa música, é de arrepiar a performance e tensão que ela faz nessa canção que por si só já tem uma história bizarra. Se você se assustou com a história de Seress e sua "Canção do Suícidio", então não escute ela na voz de Diamanda Calas.

Sarah Mclachian faz uma versão totalmente diferente da original, praticamente vira uma outra música com a mesma letra, ficou bonito mas, não mete medo nem passa a tristeza da original, mas no entanto é um belo trabalho e ficou bonito.

Billie Holiday, a queridinha Lady Day do Jazz também fez sua versão, ficou interessante e bem ao estilo da cantora.


A banda britânica de trip Hop, Portishead também fez sua versão. Na ótima voz de Beth Gibbons e ao melhor estilo eletrônico e experimental da banda. 

Muitas outras versões foram apresentadas, até eu mesmo fiz a minha:




fontes:
http://www.imdb.com/name/nm0785030/
http://www.portais.ws/?ida=7728&page=art_det
http://crashchords.com/suicide-in-c-minor-by-joseph-mastropiero/
http://www.phespirit.info/gloomysunday/article_01.htm


http://www.revistas.usp.br/cadernosdecampo/article/view/47693
Partitura
http://distractionsoflola.tumblr.com/post/432828525/gloomy-sunday-by-rezso-seress
http://www.naxos.com/person/Joseph_Keilberth/32116.htm

 

 

5 comentários:

  1. O suicídio que realmente ocorreu, não foi por nenhuma lenda, mas direcionado pela história que o mundo vivia em pé de guerra, associado a uma melodia que, ao invés de trazer esperança como um belo canto de pássaro, trouxe uma certeza de que a esperança já havia morrido muito antes, principalmente para a música, já que o canto se tornou tão triste. A simples melodia nostálgica em excesso se fez cumprir por um húngaro que já teve a experiência da falta de esperança. A falta de esperança é a abertura para Satnas.

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    1. Opa senhor Anônimo, obrigado por comentar, bem o que você falou foi exatamente o que constatei na postagem, sugiro que dê uma lida nela.

      Eu desconheço esse tal de Satnas, deve ser um péssimo compositor.

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  2. Talvez ela não passe de uma música de caráter solene e triste pois o senhor não postou a versão original, que é cantada por Pál Kálmar.

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    1. bem eu ouvi, é bem bonita, mas continuo com a mesma opinião.
      Essa é a versão de 1935
      http://www.youtube.com/watch?v=E4Hbr6mQHV0

      obrigado por comentar =)

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