terça-feira, 25 de setembro de 2012

O Coaxar dos Sapos e a arte do improviso



Terei de puxar da memória o que vou relatar, tal como Platão escreveu de Sócrates, terei que fazer o mesmo, sobre uma aula que tive a uns dez anos atrás (por volta do ano de 2002), onde assistia aula na Classe do Mestre Tato Taborda, a aula era de estética musical, antes de mais nada devo dizer que foi uma das melhores aulas que tive na Escola de Música Villa lobos, com um dos melhores professores da casa, certas coisas que ele dizia, ficaram na memória e me recordo de ensinamentos que uso até hoje, me lembro bem dele levar a turma pelas ruas do Rio para ouvirmos o som que a cidade produzia, de anotarmos tudo que podíamos perceber, parece loucura para alguns, mas isso me deu a visão na prática de como isolar certos sons que estão misturados a outros, ou ainda, entender o ruído como um som musical. Eu gostaria de primeiramente exibir a ideia e sua teoria e depois apresentar o Músico Tato Taborda.

O Coaxar dos Sapos
A Aula falava sobre composição, mas também sobre o improviso, claro que o improviso é algo realizado na hora em que a música é tocada, algo que pode ser espontâneo e intuitivo ou pensado com base em escalas e teorias, tudo vai depender da sua proposta, e dos meios que está utilizando, de qualquer forma sendo uma música tonal com hierarquia de graus, atonal ou feita apenas de ruídos e efeitos sonoros, a composição não foge a uma regra da natureza, e essa pequena “regra” me foi apresentada por Tato Taborda em uma de suas aulas, onde o mesmo nos descreveu que os sapos machos, coaxam para atrair as fêmeas, vence o sapo que impressionar com o melhor coaxado,mostrando sua saúde e virilidade, mas mesmo o sapo que "cante" mais forte pode ter o “canto” ofuscado pelo coaxar de outro sapo, ou seja, um sapo procura não coaxar ao mesmo tempo que outro, se o fizerem, a fêmea dificilmente irá conseguir percebe-lo, eles buscam o minimo espaço de silêncio que separa o coaxar de dois machos, se fizermos essa relação com a música, quando duas pessoas improvisam, poderemos chegar a uma dedução básica: elas não devem improvisar ao mesmo tempo, um ofuscará o solo do outro, o músico terá um momento de silêncio para mostrar a sua arte, e o outro deverá esperar o momento oportuno para mostrar o seu improviso, na composição isso pode acontecer também, embora ao compor se tenha tempo para pensar nos contrapontos, podendo fazer duas melodias se combinarem, como nos concertos duplos onde temos dois solistas, e mesmo nesses concertos podemos observar a espera de um solista enquanto o outro sola, e quando tocam juntos, geralmente tocam a mesma melodia em intervalos ou um preenche a harmônia de base para que o outro sole, observe no vídeo a seguir, no minuto 0:40 quando a violinista Jessica Linnebach sola e em seguida Pinchas Zukerman dá continuidade ao solo, Zukerman espera a sua vez para o solo, é claro que nesse caso se trata de uma composição já escrita, mas isso mostra tais noções mesmo na música escrita por Bach.

Bach - Concerto for 2 Violins in D Minor BWV1043 - OSESP - Pinchas Zukerman & Jessica Linnebach

http://youtu.be/cz4Z0WpuCao

O Improviso
No improviso a coisa funciona basicamente igual, podemos observar bem isso quando alguém improvisa em cima de uma música cantada, onde aproveita os intervalos de silêncio do cantor(a) para fazer algumas firulas e improvisos, se o faz junto com a voz, além de não aparecer pode vir a atrapalhar o desenvolvimento da melodia da voz, descaracterizando a música original, o mesmo poderá valer para quando mais de um instrumento está improvisando, é necessário haver um discurso dos sons, e fica muito claro quando temos os famosos desafios de improviso. Mas gostaria de exemplificar o discurso dos sons com dois cantadores de repente, João paraibano e Sebastião Dias, onde o improviso é feito um depois do outro, as violas fazem apenas a base da música.

Poetas do Repente João Paraibano e Sebastião Dias A POESIA

Tato Taborda
Pretextato Taborda Junior, Curitibano nascido em 1960, Músico contemporãneo, foi aluno de Esther Scliar e Hans Joachim Koellreutter, faz parte da escola itinerante chamada Cursos Latino-Americanos de Música Contemporânea, formado pela Uni-Rio em música brasileira (Mestrado).
Uma descrição mais minuciosa de suas obras estão no site do Itaú Cultural:
e
Geralda
É um multi instrumento construído por Tato Taborda e Alexandre Boratto (1993), é uma instrutura onde apenas uma pessoa toca vários instrumentos, apelidadando o executante de “homem orquestra”, o instrumento, como um verdadeiro ser vivo que evolui com o tempo, é batizado de Geralda (em 2002) vai ganhando novas peças. Outro fato inusitado é que além de descobrirem que Geralda agora era um ser “vivo”, também descobriram que ela estava gravida! Segundo Tato, sua forma de tocar o instrumento mudou depois disso o que o fez descobrir novas sonoridades.
Geralda contém diversos instrumentos que necessariamente não são instrumentos musicais habituais, como por exemplo, uma máquina de datilografar, e ainda adaptações de instrumentos habituais como um acordeon vertical controlado pelos pés, todo o mecanismo pode lembrar vagamente uma caixa de música, como se não bastasse, Geralda também pode se mover, de forma muito graciosa. Assista o vídeo e confira a performance de Geralda e de Tato Taborda.
Fontes:

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