sexta-feira, 20 de abril de 2012

A Técnica Alexander na vida do Músico




Foi mais ou menos no ano de 2007 que conheci uma técnica chamada "Alexander". Em princípio, foi-me apresentada como uma técnica de correção postural. Alexander foi um declamador Australiano que percebeu, com o tempo, que acabava perdendo a voz ao recitar; buscou observar a si mesmo, a entender como seu corpo funcionava, pois isso acontecia com frequência em apresentações.

Do site tecnicadealexander.com:
“Este trabalho se iniciou quando Alexander tornou-se um renomado ator shakespeareano na Austrália e Nova Zelândia e seus recitais tornaram-se bastante populares. Sua saúde foi piorando em função de suas constantes apresentações; problemas respiratórios e rouquidão tornaram-se uma constante. Sem sucesso com os especialistas da época, Alexander iniciou uma pesquisa para solucionar esses problemas. Percebeu que seus problemas de voz e respiração eram apenas consequências de um mau uso geral. Ficou evidente para Alexander que a coordenação de sua cabeça com a coluna vertebral constituía-se no principal fator para a coordenação de todo seu organismo, e que qualquer desequilíbrio nesta relação descontrolava todo a maneira de usar o seu corpo. A partir daí, desenvolveu uma prática, hoje chamada de Técnica Alexander. “

A Técnica Alexander visa principalmente controlar esses maus hábitos, adquiridos com o passar da nossa vida. Quando nascemos, e somos ainda crianças, não possuímos esses padrões errados; usamos o corpo de forma correta, ou seja, usando somente a força necessária para determinadas ações, usando os membros corretos para determinadas tarefas. Com o avanço da idade, os vícios vão aparecendo. Repare, ao subir uma escada, na quantidade de força excessiva que faz ao subi-la; como aplica força demasiada para ações simples. Certa vez, em uma aula, foi-me apresentada uma observação interessante, na qual podemos ver que não só as crianças mas também os animais sabem como utilizar corretamente seus corpos: um gato ao preparar seu pulo, enrijece os muculos necessários para aquela tarefa, aplica a força sobre eles e logo depois do salto relaxa; outro exemplo é quando alguém cai no chão por acidente, em muitas das vezes os danos e lesões são ocasionados pelo enrijecimento do corpo, ao sofrer impacto com o chão. Esses são só alguns poucos exemplos de que me recordo agora.
Músicos, em sua maioria, passam por problemas de dores musculares. O maior vilão é sempre a temida tendinite; mas por que tantos músicos sofrem com esses mesmos problemas? Dores nos pulsos, nos braços, pescoço e costas; será que é normal sentir dor? Vamos ver o que diz no site tecnicadealexander.com:
“Na conferência internacional Health and the Musician, realizada na University of York, em março de 1997, foram divulgados os seguintes dados referentes à pesquisa realizada pela Federation Internacionale des Musiciens em 56 orquestras ao redor do mundo1:



57% dos músicos sofrem de problemas médicos que afetam seu trabalho;
20% reclamam de cansaço ou dores musculares mais de uma vez por mês;
25% têm dores mais de uma vez por semana;
55% sentem dores após tocar um instrumento;
41% tiveram a experiência de não controlar os movimentos de seus dedos;
22% dos músicos tiveram que parar de tocar no ano anterior devido a dores;
83% consideram que seu treinamento não os preparou adequadamente; a localização das dores musculares era basicamente no pescoço e nas costas. “


Não gosto muito das estatísticas, mas talvez essas aí possam mostrar alguma coisa, de como vai mal a saúde do músico. Isso me lembra muito das aulas sobre a técnica, nas quais era explicado que “nos tornamos mais inteligentes no uso do corpo”. De fato, você presta mais atenção nas suas ações, percebe como existem exageros nos movimentos, como contraímos a musculatura.
Infelizmente, não pude continuar fazendo a técnica, pois é algo para se fazer por longos e longos anos; se possível estar sempre praticando como se fosse uma visita constante a um médico ou academia, pois os vícios continuam sendo adquiridos com o tempo, e cabe ao professor nos mostrar como não reproduzir tais erros. Engraçado que funciona como no aprendizado do instrumento musical: o professor está sempre “diagnosticando” nosso estado atual, indicando o que deve ser feito para a próxima aula e que novos exercícios devemos praticar.

Interessado na Técnica Alexander? Dê uma olhada no site http://www.tecnicadealexander.com
Fontes:
http://www.tecnicadealexander.com(acessado em 14/04/2012)

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