quarta-feira, 4 de abril de 2012

Entendendo melhor o Fusion




Fusion
é, como o próprio nome diz, uma fusão de dois estilos em um só. Começou com o Jazz Fusion, que era sempre essa mistura de Jazz com outro estilo, como o Funk ou o Rock. A ideia não se modificou muito com o passar do tempo e veio a se desenvolver bastante no final do século XX e inicio do XXI. Muito popular entre os guitarristas, o estilo se tornou sinônimo de virtuosismo e técnica apurada. É importante observar que se criou uma cultura do "bom gosto", herança vinda do Jazz.

Divaguei esses dias sobre o estilo ouvindo a música "The Chicken", tocada no Jazz Funk (Jaco Pastorius) e depois no Jazz Metal (Shaun Baxter). Foi no Metal que consegui enxergar as junções dos dois estilos, uma mistura homogênea que se torna, aparentemente, algo diferente do que era antes: tem o elemento das duas, mas ambos são fundidos. Na música, a coisa ocorre da mesma forma: a mistura deve praticamente criar um estilo musical novo, mas com os elementos visíveis dos dois estilos. É complicado, pois é como se você visse algo totalmente novo, mas, que ao mesmo tempo, lembrasse os dois estilos anteriores de onde se originou a junção.

Percebi então que no Jazz Metal teremos uma base sincopada, cheia de contratempos e swings, mas com a guitarra distorcida usada no Metal, dois elementos que foram detalhadamente escolhidos para essa formação. O contrário disso resultaria ainda em outra coisa: se fizéssemos a base composta de um ritmo simples do Metal com o timbre da Guitarra de Jazz, iria se assemelhar a um rock que não usa distorção, ou seja, iria parecer com algo que já existe. Faz-se necessário pegar o que é mais característico dentro do estilo e o que dê mais possibilidades musicais, entre um ritmo simples e básico e um ritmo mais requintado. Prefere-se a segunda opção, entre uma guitarra sem distorção e uma carregada de overdrive; também se prefere a segunda opção; nesse caso, seja para se houver a mistura, ou pelo fato de que essa é uma característica marcante no Metal.

Jaco Pastorius tocando The Chicken com intro Soul


Shaun Baxter tocando The Chicken



Uma segunda observação: no metal, os solos muitas vezes são rápidos, ficam por muito tempo solando muitas e muitas notas por segundo, não é uma regra, mas é comum ver isso em guitarristas de Metal. Para os músicos, as sequências geralmente são feitas em semicolcheias, em velocidades altas como 120 BPMs; já no Jazz, o solado das guitarras é bem diferente, sincopado, swingado e bem mais lento que no Metal, como se faz então a fusão nesse caso? Mantém-se o Swing com seu fraseado de Jazz, mas introduzindo sequências rápidas do Metal em determinados trechos dos solos. Isso vale para alguns casos; tem Jazz Metal que faz uso de solos rápidos o tempo todo, mas, mesmo assim, abusando de escalas bebop e outras artimanhas do Jazz.

O mesmo ocorre com os demais instrumentos. Falo mais da guitarra pois, como instrumento solista, se faz mais "visível", mas essas mesmas variações se mostram bem presentes na bateria: batidas ora jazzísticas, ora bem pesadas como no Metal, ou ainda uma batida jazzística com peso. Dois grandes nomes da bateria dentro do estilo abordado aqui são os norte-americanos Dave Weckl e Steve Smith. Dave Weckl já tocou com Madonna, Paul Simon, George Benson, mas seu trabalho mais conhecido é Chick Corea's Elektric Band, onde o Fusion "come solto". Seus solos, além de possuírem momentos de pura demonstração de técnica, contêm elementos de jazz, ritmos afro-cubanos, funk e rock, o que caracteriza bem o Fusion. O mesmo ocorre com Steve Smith, exímio baterista de jazz, com amplo domínio dos rudimentos da caixa. Steve já tocou também com grandes nomes da música, como Mariah Carey, Andrea Bocelli e Bryan Adams. No entanto, o baterista deixa aflorar o Jazz e o Fusion que estão sempre latentes nele no seu grupo de Jazz Vital Information.

Dave Weckl com Chick Corea's Elektric Band

Steve Smith com Vital Information


O Fusion em outras possibilidades

Segundo o Guitarrista Fábio Caiaffa, é possivel fazer Fusion utilizando outros estilos sem ser o Jazz. Observamos que as definições e formas de se fazer esse estilo tomam como base sempre o Jazz, talvez por uma versatilidade do mesmo (a partir de onde essas misturas começaram a existir), ou até mesmo por status técnico que o estilo gera na mentalidade de quem aprecia. Fábio faz a mistura do Flamenco com o baião e, segundo o músico, a origem da palavra é Fusão (tradução de Fusion). Sendo assim, tudo que se mistura pode ser Fusion. O próprio Shaun Baxter faz uma mistura de metal com Blues no seu G Spot Blues.

Baião Espanholado



Esse Artigo foi feito em conjunto por: Daniel Marcos Martins e Alan Costa.



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