domingo, 22 de abril de 2012

Assuntos Complexos na Música, Parte 1: Série Harmônica


Estou dando inicio a uma série de assuntos complexos na música; peço desculpas aos leigos em música, mas procurei tornar o assunto o mais didático possível, pois nossa intenção aqui não é segregar músicos e leigos, mas tais assuntos necessitarão de um pouco mais de atenção por parte do leitor. Agradeço à compreensão de todos.

Primeira parte : Série Harmônica.
Quando uma nota é emitida por um instrumento musical, ou mesmo pela voz humana, pensamos ouvir apenas um única nota musical, mas na verdade essa uma única nota não estará soando sozinha. Ele vai gerar toda uma série de sons menos audíveis, mas presentes que irão compor o som; a isso damos o nome de Série Harmônica. Uma ótima forma de se pensar essa série seria a partir de uma corda vibrando. Sem que nossos olhos percebam, a corda ao vibrar se divide em duas partes iguais, depois, sucessivamente, em três, quatro, cinco, seis e quantas partes forem possíveis. A primeira vibração é a mais perceptível, a que dá o nome à nota, e a que perceberemos com clareza.
Para entender um pouco esse processo é também necessário ter uma pequena noção de Física, mas é possível explicar isso sem cálculos ou fórmulas. Só precisamos entender que uma corda Dó, por exemplo, ao vibrar, produz a nota Dó; quando ela se divide no meio em duas partes iguais, irá fazer o mesmo Dó, só que mais agudo.


E esse Dó se repetirá em múltiplos de 2, ou seja, (2x2 =4), quando a corda estiver dividida em 4 partes estará fazendo de novo a mesma nota, (4x2= 8) e irá repetir o Dó novamente com a corda dividida em 8 partes iguais. As demais divisões, como 3, 5, 6 e 7 partes emitirão outras notas, vamos visualizar isso no desenho a seguir:



A essas partes daremos o nome de Harmônicos. Quanto menos divisões, mais forte será o som; é por isso que escutamos tão nitidamente em uma corda Dó a nota Dó, pois seu primeiro Harmônico é o próprio; além disso, ele é reforçado pelos Harmônicos 2, 4 e 8..
Um detalhe importante é que todo Harmônico que for multiplicado por 2 encontrará sua repetição no seu múltiplo: por exemplo, o Sol aparece no terceiro harmônico, e irá aparecer novamente no sexto pois 3x2 = 6; é claro que também irá aparecer lá no Harmônico 12, pois 6x2= 12.
Começamos a notar aqui a Física e a Matemática na música, mas podemos ter a seguinte pergunta: por que isso é importante?
A Música é feita de combinação de notas; algumas são mais consonantes e outras dissonantes. Por que percebemos notas musicais que não combinam uma com a outra e, em outros casos, as notas parecem soar tão bem juntas? Devemos levar em consideração o fator cultural também; se sentir incomodado com determinadas combinações, também pode ser avaliado de um parâmetro cultural, mas boa parte dessa audição, pode ser explicada pela física: combinações mais “confortáveis” são melhores aceitas ao nosso ouvido, mas foi através das combinações mais dissonantes que introduzimos na música algumas tensões, e sem avaliarmos a cultura, vamos analisar como a Música funciona na Física.
Um acorde Perfeito maior (um dos acordes básicos sem tensões) é formado com base na combinação de notas consonantes da série Harmônica, mas precisamos entender quais são as consonâncias. Antes vamos transferir o desenho das cordas para a pauta Musical, onde poderemos visualizar melhor uma extensão maior da Série. Para os leigos, os nomes das notas estarão escritos abaixo da partitura.
Harmônico/ Nota: 1/Do, 2/Do, 3/Sol, 4/Do, 5/Mi, 6/Sol, 7/Si b, 8/Do, 9/Re, 10/Mi, 11/Fa#, 12/Sol.

A Consonância proporciona repouso e uma estabilidade sonora; a Dissonância provoca tensão, movimento. Para entendermos melhor como funciona a série Harmônica, basta lembrarmos que, quanto mais os Harmônicos forem afastados do primeiro, mais dissonante ele será, ou seja, um Harmônico 13 será mais dissonante que um Harmônico 2, que está bem mais próximo do Harmônico 1. Quanto à origem, podemos dividir em três etapas a série de Harmônicos: Consonância perfeita, Consonância imperfeitas e dissonâncias.
Em azul escuro, Consonância perfeita, Azul claro, Consonância imperfeitas e em Vermelho: Dissonâncias

Devemos observar que as Consonâncias perfeitas são: Dó, Dó, Sol, Dó, ou seja, do Harmônico 1 ao 4. Consideraremos então que o Dó e o Sol são as consonâncias perfeitas, e uma vez classificadas assim, mesmo que o Do vá aparecer lá no oitavo Harmônico, dentro do campo da dissonância, ele não poderá ser mais classificado. Devemos levar em consideração apenas a primeira aparição da nota.
Com base nisso, poderemos entender melhor o que são notas dissonantes ou consonantes, que notas podem formar um acorde que soe repousante e um acorde mais tenso. O repousante vai conter notas Consonantes; o tenso, notas dissonantes, além das consonantes.


Bibliografia:

Med, Bohumil. Teoria da música - 4. ed. Brasília, DF; Musimed, 1996.

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